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O difícil caminho até a vanguarda
Insistência e capacidade de superar momentos adversos marcam trajetória do biocombustível
O Brasil é hoje mundialmente a ‘bola da vez’ na produção de etanol. Tanto que os mais eufóricos garantem que o país será a ‘Arábia Saudita do etanol’ em razão das condições inigualáveis para atender à crescente demanda de bioenergia no mundo. Porém, há uma história de altos e baixos, euforia e descrédito, que foram determinantes para fundamentar a vanguarda do país.
A história do etanol começa em 1933 com a criação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Nessa época foi desenvolvido o primeiro motor 100% a álcool de que se tem notícia no mundo.
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Mas foi na década de 70, com as crises do petróleo, que o etanol teve seu grande salto. O Governo investiu pesado em políticas públicas para substituir os derivados do petróleo e assim surgiu o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, em 197 . Foi uma revolução que levou o País a modificar o modo de produção, investir em pesquisa e buscar soluções.
Caminhando de encontro ao progresso, as usinas desenvolveram processos para aproveitar energia elétrica do bagaço da cana, o que gerou a auto suficiência energética, o baixo custo da produção e as contribuições ambientais. Em poucos anos o país contava com uma tecnologia |
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única e já produzia, em larga escala, carros totalmente movidos a álcool. O país viveu anos de pujança até os preços do petróleo caírem no mercado mundial. Houve muitas críticas ao Proálcool, e como naquela época pouco se falava de aquecimento global e efeito estufa, o futuro do etanol não parecia promissor. Em 1989 houve crises de abastecimento.
O carro a álcool tornouse um problema e parou de ser produzido nos anos 90. No final daquela década, o combustível chegou a ser entregue gratuitamente em algumas regiões. Finalmente, em 2000 o Proálcool morreu de inanição.
Maurílio Biagi Filho, um dos maiores empresários do setor, explica: “Este cenário gerou estigmas. Primeiro, porque era um programa que tinha uma conotação de possuir uma série de subsídios, embora não fosse totalmente verdade; segundo, porque, apesar de ter sido idealizado por empresários, o programa era totalmente “patrocinado” pelo governo, se assim não o fosse, não existiria. E em terceiro, o estigma do “desabastecimento” traumatizou os consumidores brasileiros”.
Contudo, muitos empresários do setor apostaram no etanol.
É o caso do empresário Cícero Junqueira Franco, historicamente considerado um dos ‘pais’ do Proálcool. “Sempre acreditamos e buscamos soluções. Com os preços proibitivos do petróleo e a criação do carro flex, estamos de volta ao negócio”, comenta.
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Mas será que o país está vivendo novamente uma fase de euforia passageira? Não é o que acredita Junqueira Franco.
“As novas tecnologias disponíveis no campo e na indústria, os novos conceitos econômicos, e a consciência sócio-ambiental do empresariado fazem com que o setor sucroalcooleiro integre novos horizontes, mais equilibrados e responsáveis”.
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De fato. Com cifras bilionárias, nunca se investiu tanto em pesquisa e desenvolvimento no país. O método empírico está sendo substituído por uma visão moderna de gestão.
Sizuo Matsuoka, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Canavialis, empresa especializada na criação de novas variedades de cana-de-açúcar e sistemas produtivos racionais, confirma esta nova tendência: “As pesquisas tem mais eficiência quando desenvolvidas por empresas privadas, geridas efetivamente como uma empresa, com foco e necessidade
de resultado”.
Em termos de pesquisa e busca de soluções o Brasil modernizou-se. E o mesmo se pode esperar da atuação governamental – maior incentivo com menor interferência?
Maurílio Biagi Filho acredita que sim: “Hoje somos grandes produtores de energia e temos responsabilidade estratégica na produção deste insumo. Não somos mais protegidos e regidos pelo governo. Na realidade atual, somos parceiros, para que o Brasil seja o principal produtor de energia econômica, limpa e renovável”, reforça.
Sem medo de errar, o empresário completa: “O etanol é uma alternativa ou um aditivo que veio para ficar”.
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The hard path to the leading position
The persistence and the capacity to overcome the adverse moments have marked the biofuel path
Nowadays, Brazil is the flavor-of-the-month in ethanol production worldwide. Therefore, the most euphoric assure the country will become the ‘Saudi Arabia of Ethanol’ in view of the unparalleled conditions to meet the bioenergy growing demand in the world.
However, there are ups and downs, euphoria and disbelief, which were determinant to ground the country’s avant guard.
Ethanol history started in 1933 when the Sugar and Ethanol Institute (IAA) was created. At that time, the first development we have ever heard occurred to the 100% ethanol-powered engine.
Further ethanol had its great increase in the 70’s during the oil crisis. The Government’s high investments in public policies, in order to replace the oil and its by-products, resulted in the Domestic Ethanol Program, the Proálcool, in 197 . This revolution caused the change in the production in the Country as well as the investment in research and search for solutions.
The plants developed the processes to use the electric power from the sugar cane bagasse, while heading to the progress, which has led to energy self-sufficiency, at a low cost of production and with positive environmental contributions. In few years the country already had dominated a unique technology and the large-scale production of ethanol-fueled cars.
The country had blooming years until the oil prices dropped worldwide. There were several criticisms towards the Proálcool; atthat time, global warming and the greenhouse effect were hardly addressed, consequently the ethanol future was not promising.
The supply crisis took place in 1989. The ethanol-powered car became a problem and its production stopped in the 90’s. At such decade end, the fuel was freely delivered in some regions.
At last, the Proalcool died by “starvation” in 2000.
Maurílio Biagi Filho, a leading producer, explains: “This scenario generated stigmas. First, this program had the connotation of receiving several subsides, which was not totally true; second, although it was idealized by the producers, the program was totally “sponsored” by the government, otherwise it would not exist. Third, the “shortage” traumatized the Brazilian consumers”.
Nevertheless, several producers were convinced of the ethanol’s winning. This is the case of Cícero Junqueira Franco, who is deemed historically the “father” of Proálcool. “We have always believed and looked for solutions. We are back in business in view of the prohibitive oil prices and the flex-fuel car creation”, he says.
Is the country living again a temporary euphoria phase? This is not believed by Junqueira Franco. “The new technologies available both in the field and in the industry, the new economical concepts and the business community socio-environmental awareness cause the integration of more balanced, responsible new horizons by sugar and ethanol sectors.”
In fact, the research and development area have never received such billionaire investments before. The empiric method has been replaced by a modern management view. Sizuo Matsuoka, Research and Development Director of Canavialis, a company specialized in creating new sugar cane varieties and rational productive systems, confirms such new tendency: “The researches are more effective when developed by private companies which are more focused and need results”.
Brazil has improved regarding research and the search for solutions. Could we expect the same from the government – higher incentive and less interference?
Maurílio Biagi Filho thinks so: “Currently we are great energy producers and have the strategic responsibility with production.
We are not protected or ruled by the government anymore.
In reality, we are partners as Brazil is the main producer of a cost effective, clean and renewable energy”, he points out.
The businessman concludes: “Ethanol is definitely an
alternative and an additive which is here to stay”.
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