| |
 |
| |
 |
Nada se perde, praticamente tudo se transforma em biodiesel
Um dos maiores especialistas do mundo no assunto, Miguel Dabdoub e sua equipe pesquisam alternativas ao uso de grãos mais tradicionais na produção do biodiesel
 |
A disparada nos preços mundiais dos grãos, principalmente da soja, considerada a principal matéria-prima para a produção em larga escala de biodiesel, vai prejudicar a produção e as metas de uso do combustível renovável no Brasil? Se depender de um dos maiores especialistas mundiais na pesquisa e desenvolvimento desse combustível, o professor doutor Miguel Dabdoub, do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel) da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, a resposta é não. Por dois motivos principais: o Brasil inicia com cautela a curva de aprendizado para a produção do combustível em larga escala, com a adição gradual planejada na mistura com o diesel de petróleo, e matérias-primas alternativas à soja e são desenvolvidas para a produção em escala industrial do biodiesel.
Quem abastece sua picape, caminhão, trator com o diesel não imagina que, se depender da ciência, vai colocar no tanque um pouquinho de macaúba, peixes e até microalgas. Pois Dabdoub e sua equipe imaginaram isso há algum tempo e buscam, nesses produtos, alternativas ao uso de grãos mais tradicionais na produção do biodiesel. Por exemplo: o fruto e a castanha da macaúba, palmeira nativa e muito comum do México à Patagônia, são capazes de produzir até 7 mil litros por hectare de biodisel, 15 vezes mais que a soja. Isso sem nenhum melhoramento genético e dependente apenas de bons tratos agrícolas e do controle de pragas que possam surgir no plantio em larga escala.
Outro produto pesquisado na USP em Ribeirão Preto para a produção alternativa do combustível é o óleo de peixe. A iniciativa surgiu em parcerias com empresas dos Estados Unidos e do Vietnã, nas regiões de grande produção de óleo de pescados. Segundo Dabdoub os estudos apontaram que o catfish, peixe semelhante ao bagre, é capaz de produzir 15 vezes mais óleo do que matérias-primas do solo.
 |
A partir daí, os cientistas passaram a avaliar as espécies mais comuns no Brasil e já é possível afirmar que pintado e pacu são grandes “produtores” de biodiesel. “Apesar de o Brasil ter a maior bacia hidrográfica do planeta, a pesca aqui é praticamente artesanal”, afirmou Dabdoub. No Vietnã, por exemplo, a produção de óleo de peixe chega a 500 milhões de litros por ano, metade do que o Brasil precisa para cumprir a atual meta de mistura ao diesel, de 2%, a chamada B2.
Mas e a disparada nos preços das matérias-primas? Vai haver impacto no programa brasileiro que já prevê a mistura B3 para julho deste ano, o correspondente a 1,3 bilhão de litros do combustível por ano, e B5 até 2013? “Claro que não. É só haver escala de produção, pesquisa e desenvolvimento e haverá mais oferta. Com isso, os preços do biodiesel cairão”, resumiu o Dabdoub “Além disso, os preços dessas commodities se ajustaram às altas das outras, como aço e petróleo, e os custos delas foram reduzidos com a desvalorização do dólar”, completou.
Para o professor, o programa de uso de álcool a partir da cana no Brasil, considerado exemplo mundial, é a maior prova de que o biodiesel pode ser um sucesso. Na década de 70, quando o etanol começou a ser utilizado, custava o correspondente a US$ 142 o barril e o petróleo valia US$ 12. Com os ganhos em escala, a alta tecnologia de produção e o desenvolvimento genético da produção da cana, hoje o barril do álcool custa US$ 25 e o do petróleo supera os US$ 100. “O importante é aumentar a oferta e seguir com as pesquisas com o biodiesel que o Brasil vai dar de novo exemplo para o mundo”, concluiu Dabdoub.
|
|
| |
| |
| |
|
|
| |
Biodiesel
Nothing is wasted; almost everything may be turned into biodiesel
One of the great biofuels experts worldwide, Miguel Dabdoub and his team are researching alternatives for the use of traditional grains in the biodiesel production
Will the worldwide boom in the grain prices, especially soy which is considered the main source for biodiesel large-scale production, jeopardize the production and the goals established for the utilization of renewable fuels in Brazil? If it’s up to one of the top experts in biodiesel R&D, Professor Miguel Dabdoub, from the Laboratory of Clean Technologies Development (Ladetel) at the University of São Paulo (USP), the answer is NO.
For two main reasons: Brazil cautiously begins the learning curve for the large-scale biodiesel production, with the gradual and planned addition the diesel, and alternative raw materials other than soy are being developed destined to reach the level of large-scale production.
The consumer who currently fuels his SUV, truck or tractor with conventional diesel may not realize that he will soon fuelling them with a little Macauba, fish and even microalgae. Professor Dabdoub and his team already figured it out sometime ago, and search in these materials the alternative for the traditional grains to produce biodiesel. For instance: the Macauba’s fruits and nuts, a native palm tree very common from Mexico to Patagonia, are capable to produce up to 7 thousand liters of biodiesel per hectare, 15 times more than soy. That would be without any genetic improvement, depending solely of good agricultural practices and plague control which may occur in large-scale production.
Another product researched at USP in Ribeirão Preto aiming the alternative fuel production is the fish oil. The initiative came from the association with companies from the US and Vietnam, in the areas of large oil fish production. According to Dabdoub, the studies indicated that the catfish is capable to produce 15 times more oil than soil-origin raw materials.
From that point, the scientists started to evaluate the most common fish species in Brazil and it is already possible to state that Pintado and Pacu are great biodiesel “producers.” “Despite Brazil’s hydrographic basin which is the largest of the planet, fishing here is still primitive and practically amateur”, stated Professor Dabdoub. In Vietnam, for instance, the production of fish oil reaches 500 million liters a year; half the necessary in Brazil to accomplish the current 2% blend goal to the diesel, called B2.
But what about the boom in the grain prices?? Will there be any impact in the Brazilian Biofuel Program which already foresees the B3 blend by July 2008, equivalent to 1.3 billion liters a year and B5 until 2013?? “Of course not. It is just a matter of reaching scale in production, with research and development and there will be more volume to be offered. Consequently, biodiesel prices will certainly drop” says Professor Dabdoub “Besides, the prices of those commodities followed the other ones upwards, such as steel and oil, and costs were reduced with the US dollar fall”, completed.
For the Professor, the sugar-cane based ethanol program developed in Brazil, which is considered an example to the world, is the best proof that biodiesel can be a success. In the 70’s when ethanol began to be used, its cost was equivalent to US$ 142 per barrel and oil was worth US$ 12. With the scale-production, the high technology and the genetic development of the sugar cane production, today the ethanol barrel costs US$ 25 and oil goes over US$ 100. “The most important now is to increase the offer and to proceed with the researches with biodiesel and Brazil again will set the example to the world”, concluded Professor Dabdoub.
|
|
|
|
|