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Ataque ao etanol:
o Brasil reage
País deve ter plano bem organizado de informações para alimentar argumentos pró-etanol na discussão sobre a crise de comida no mundo
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Os dados são da Organização das Nações Unidas (ONU) e revelam que os atuais níveis dos estoques de alimentos são os mais baixos dos últimos 30 anos. O mundo está sofrendo as conseqüências de um inesperado fenômeno iniciado nos últimos três anos, de desequilíbrio entre a oferta e a demanda.
O crescimento nos índices de renda média per capita das nações emergentes a níveis quase 100% superiores às taxas observadas nos países desenvolvidos fez explodir a demanda por alimentos. Apenas na China, 450 milhões de pessoas saíram miséria nos últimos 25 anos – é quase meio bilhão de estômagos a mais, ávidos por proteína animal, que requisita vegetais - o alimento dos bichos, para ser produzida. Mas o consumo de alimentos no mundo andou na contramão da produção, castigada por condições climáticas desfavoráveis. Hoje, os estoques de milho, trigo e arroz possuem 60% do volume observados há sete anos. “A oferta se retraiu devido à seca na Austrália e na Europa, com destaque para Ucrânia, e na América do Sul. No Brasil, deixaram de ser produzidas 40 milhões de toneladas de grãos”, calcula o ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues.
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À redução da demanda, soma-se o avanço no preço do petróleo, que encarece fretes e o valor dos fertilizantes usados na agricultura, e a especulação financeira contra o dólar. O resultado da equação sinaliza inflação nos preços dos alimentos. Ao evoluírem, os países emergentes afundam as nações pobres ainda mais na miséria. É o caso de Nigéria, Haiti, Vietnã, Bangladesh e Indonésia, por exemplo. Enquanto as mais humildes famílias norte-americanas gastam apenas 16% de seu orçamento em alimentos, os nigerianos investem 73% do que ganham para comer. Com 65% e 50% respectivamente, vietnamitas e indonésios também estão sofrendo com o aumento de preços. Nesses países as perspectivas são consideradas aterradoras pelas autoridades mundiais. O preço do arroz subiu mais de 50% nos últimos meses. O milho bate recordes na bolsa de Chicago ao dobrar de valor desde 2006. Pior situação é a do trigo, que chegou à sua cotação mais elevada em 28 anos.
Guerra de
palavras
Apesar de todos os dados e estatísticas, a resposta da comunidade mundial ao povo que anseia uma solução, foi a indicação de um principal vilão. O etanol foi o bode expiatório eleito. Os críticos argumentam que o cultivo de terras férteis para plantio de matéria-prima usadas na fabricação de biocombustíveis provoca a redução das áreas destinadas aos alimentos.
O etanol nacional, que já estava no foco dos holofotes mundiais devido aos investimentos recebidos, ganhou mais evidência. O bombardeio começou com o presidente francês Nicolas Sarkozy que acusa do governo brasileiro de dumping por incentivar a produção com a redução de impostos na produção e até na compra de carro a álcool.
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, engrossou o coro. Para ele, os biocombustíveis criam um problema moral para a humanidade e provocarão ainda mais miséria no mundo. A bioenergia ainda foi condenada pelo relator da ONU, Jean Ziegler, que classificou a produção e o uso de biocombustíveis como "crime contra a humanidade". Pelas suas declarações, o presidente do Bird (Banco Mundial), Robert Zoellick, concorda. “Enquanto alguns estão preocupados em encher o tanque de seus carros, muitos ao redor do mundo se debatem para forrar o estômago, e isso fica mais difícil a cada dia".
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Liderados pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vários segmentos do Brasil responderam aos ataques. Lula convocou ministros e outras autoridades a formarem uma força-tarefa, a criarem uma estratégia de reação ao "processo de ataque" contra o uso do etanol. Para o presidente, o estabelecimento de relação de causa e efeito entre biocombustíveis e alta dos preços dos alimentos é espantoso. Lula chamou de "palpiteiros" os que relacionam a alta dos preços dos alimentos com a produção de biocombustíveis. “É fácil alguém ficar sentado em um banco da Suíça dando palpite no Brasil e na África. É preciso vir aqui meter o pé no barro", disse o presidente. Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recomendou que organismos multinacionais, como o FMI, priorizem o combate aos subsídios agrícolas na Europa e nos Estados Unidos.

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Ethanol under attack: Brazil’s strong reaction
The Country must have a well-organized plan, with precise information in order to provide pro-ethanol data for the ongoing discussion about the world food crisis
The data come from the UN and reveal that the current stock levels of food are at their lowest in the last 30 years. The world is suffering the consequences of an unexpected phenomenon initiated three years ago – an unbalance between the demand and the supply.
The increase of the average per capita income indexes in the emerging markets to levels over 100% over those observed in the developed world made the demand for food literally to explode. In China only, 450 million people left the misery zone in the last 25 years – it’s almost half billion additional stomachs, avid for animal protein, which demand additional grains for the animal consumption, to be produced.
However, the food consumption worldwide is going up while the production has been decreasing, punished by adverse climate conditions. Today, stocks of wheat, corn and rice are only 60% of what they used to be seven years ago. “The supply is retracted due to the draught in Australia and Europe, especially in Ukraine, and South America. In Brazil, we stop producing around 40 million tons of grains”, calculates former Minister of Agriculture, Roberto Rodrigues.
Apart from the reduction in production, the high price of oil affects the freight costs and fertilizer prices used in agriculture, plus the financial speculation against the US dollar. The result of this equation signalizes inflation in the food prices. The evolution in the emerging markets, end up condemning the poor countries to even more misery. That’s the case of Nigeria, Haiti, Vietnam, Bangladesh and Indonesia, to name a few.
While the lowest-level American families spend an average of 16% of their income in food, the Nigerians spend 73% with food. With 65% and 50%, the Vietnamese and Indonesians are also suffering with the price increase. In those countries, the perspectives are considering terrifying by the world authorities. The price of rice increased more than 50% in the last months. Corn is breaking records in the Chicago Stock Exchange as its value doubled since 2006 but the worst situation affects wheat, which presents the highest value in 28 years.
Word War
Despite all the data and stats, the response from the international community to the people who are anxious for a solution, was to point the finger to a villain.
Biofuels were turned into the escape-goat. The critics state the use of fertile land to produce feedstock for biofuels reduce the areas destined to produce food.
The Brazilian ethanol, which was under the spotlight due to the investments recently made, was in the middle of the crossfire, which started by the French President Nicolas Sarkozy, who accused the Brazilian government of dumping the market by encouraging the production with tax reductions and even in the purchase of the ethanol cars.
The WMF’s Director, Dominique Strauss-Khan took his speech to an even louder tone. In his view, biofuels create a moral problem for mankind and will cause even more misery in the world. Bioenergy was literally condemned by ONU’s representative, Jean Ziegler, who qualified the production and use of biofuels as “crime against mankind”. Considering his last statements, BIRD’s President, Robert Zoellick agrees. “While some are concerned about fueling their cars, many around the world fight to feed their stomachs, and this is becoming more difficult everyday”
Led by President Luis Inacio Lula da Silva, several segments in Brazil fiercely responded to the attacks.
Lula called his Ministers and other authorities to compose a task-force in order to elaborate a strategy to react to this “attack process” against ethanol. For the President, the cause-effect co-relation presented, between food and biofuels is absolutely amazing. Lula named those who relate the high prices of food to the biofuels production as “guessers”. “It’s easy to be sitting behind a bank desk in Switzerland and guess what’s going on in Brazil and Africa. These people need to come here and put their boots in the mud [in order to get the real deal].”
Also, the Minister of External Affairs, Celso Amorim recommended that multinational entities, such as the WMF, prioritize the combat to the agriculture subsides in Europe and the US.

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