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Etanol, combustível
do futuro
Os atuais níveis de emissão de dióxido de carbono e outros gases poluentes à atmosfera fazem com que o mundo volte as atenções para medidas ambientalmente responsáveis visando, atenuar o efeito estufa. A cada ano, a temperatura do planeta aumenta e mudanças climáticas desordenadas têm provocado fenômenos naturais que até então o planeta não havia sentido. É unânime a conclusão de que os países devem adotar políticas que, ao mesmo tempo, não agridam o meio ambiente e não tragam prejuízos econômicos e sociais.
Até mesmo nações como China e Índia, que ocupam as primeiras colocações no ranking de emissão de poluentes, tentam repensar suas estratégias de crescimento econômico que evitem o consumo exacerbado de fontes poluidoras, como o carvão mineral e o petróleo. Um dado alarmante, divulgado recentemente pelo Worldwatch Institute, revela que se os dois países utilizassem a mesma quantidade de petróleo per capita que o Japão, por exemplo, suas demandas seriam maiores que a de todo o planeta.
Entre todos os combustíveis alternativos, o que mais se destaca do ponto de vista econômico e ambiental é o etanol (ou álcool combustível). Além de ser uma fonte renovável e de baixas emissões em comparação aos combustíveis fósseis, o etanol pode ser misturado à gasolina. A grande preocupação é que as nações se conscientizem e ajam com medidas efetivas que diminuam a dependência global de combustíveis fósseis, agregando energias limpas às suas economias. Alguns países já até aprovaram resoluções que tornam obrigatória a adição de uma porcentagem de etanol à gasolina, mas na prática isso ainda não acontece.
Se estas medidas fossem de fato praticadas, estima-se que haveria um aumento da demanda em torno de 40 bilhões de litros. Somente no Japão – que deve definir este ano o uso do etanol como combustível – caso fossem adicionados 5% de etanol à gasolina, haveria um aumento da demanda mundial de etanol em cerca de 3 bilhões de litros ao ano.
Como um dos maiores produtores mundiais – em 2007 o país produziu 21,5 bilhões de litros frente a uma demanda mundial de 54 bilhões de litros – o Brasil tem totais condições de se tornar uma potência em um curto espaço de tempo. O País possui diversas características que o situam em uma posição privilegiada, essencialmente por conta de fatores naturais, como clima, relevo e área agricultável, que favorecem a produção do etanol a partir da cana-de-açúcar.
Diversos órgãos internacionais têm manifestado publicamente as qualidades do etanol derivado da cana. O Banco Mundial (Bird) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também atestam os benefícios desta forma de produção, considerando-o como mais eficiente globalmente. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) e a Agência Internacional de Energia (AIE) classificam o etanol proveniente da cana-de-açúcar o biocombustível mais aceitável do ponto de vista ambiental, em comparação com aquele derivado do milho e da beterraba, por exemplo.
Mesmo com uma exportação ainda tímida, em torno de 4 bilhões de litros em 2007, somente o mercado interno brasileiro já justifica os investimentos realizados neste setor, que não têm sido poucos, seja por parte de grupos locais, investidores internacionais ou fundos de private equity. Em 2007, a produção e venda de automóveis no Brasil foi recorde, de acordo com a Anfavea e a Fenabrave. Foram 2,97 milhões de unidades produzidas, sendo que 86% desses carros saíram das fábricas aptos a consumir o etanol como combustível.
Pela primeira vez desde 1986, no auge do programa Proalcool, o consumo de álcool combustível poderá, em abril deste ano, superar o consumo de gasolina. Os dados de janeiro de 2008 mostram que o consumo de álcool hidratado cresceu 51,4% na comparação com o mesmo período de 2007, chegando a 961 milhões de litros.
Atualmente, existem pelo menos 50 novas usinas de etanol sendo construídas no Brasil e uma projeção de investimento de US$ 14 bilhões até 2013 em novas indústrias. Os Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais são os que mais estão recebendo recursos para expansão de novas usinas no país. Esse aporte de capital cria condições para que o setor cresça ainda mais, gere empregos e fortaleça o mercado local de fabricação de equipamentos para usinas, o qual vem ganhando cada vez mais destaque.
Nesse cenário tão promissor para o mercado interno, o país, por meio de seus órgãos competentes, luta para transformar o etanol da cana-de-açúcar em uma commodity internacional. Incluir o produto nas negociações em bolsa dificultaria a criação de barreiras tarifárias, principal questão enfrentada na exportação. Mais do que superar os obstáculos estabelecidos pela União Européia e pelos Estados Unidos, o Brasil terá de provar as vantagens econômicas do etanol a partir da cana-de-açúcar.
Se, no pior dos cenários, as portas do mercado mundial não se abrirem para o etanol, o mundo continuará consumindo açúcar e apenas os carros flex do Brasil já serão responsáveis por absorver a produção de álcool. No entanto, vale ressaltar que essa rejeição ao etanol é pouco provável, já que o petróleo é uma fonte esgotável de energia e extremamente poluente, o que vai contra a tendência de preocupação com o meio ambiente e sustentabilidade. Pela sua importância ambiental e sócio-econômica, é um assunto que deve permanecer na agenda de grandes líderes do mundo político e empresarial.
MARCELO JUNQUEIRA
Engenheiro
Agrônomo, CEO - Clean Energy Brazil
Agronomist, CEO - Clean Energy Brazil
| l Opinião l Opinion |
"A Lie, continuously
repeated, may be
accepted as truth" |
"The LandLess Europeans" |
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"Ethanol, the futures’ fuel" |
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Opinion
Ethanol, the futures’ fuel
The current levels of carbon dioxide emissions as well as other polluting gases in the atmosphere are creating a new worldwide awareness about environmental responsible measures to be taken in order to minimize the greenhouse effect. Each year, the planet’s temperature increases and the uncontrolled climate changes have been causing natural phenomena which, so far, we have never seen before. The conclusion is unanimous – countries should adopt policies which do not hurt the environment and at the same time, do not bring socio-economic negative impacts.
Even nations such as China and India, which are ranked at the top of the polluting countries, are trying to redesign their economic growth strategies in order to avoid the exaggerated use of polluting sources, such as mineral coal and oil. An alarming piece of information, released by the Worldwatch Institute, reveals that if those two countries would use the same amount of oil per capita used in Japan, for instance, their demands would be bigger than the whole planet’s.
Among all the alternative fuels, the outstanding one from both the economical and environmental perspective is the ethanol (or fuel alcohol). It is a renewable and low-emission source if compared to fossil fuels and besides that, can be added to the gasoline. There is a major concern regarding the nations’ awareness and effective actions to reduce the global dependence of fossil fuels, adding clean energies to their economies. Some countries have already approved legislation to turn some percentage of ethanol blends in the gasoline mandatory, but in fact, it’s not really implemented yet.
If those measures were to be really adopted, there would be an estimated demand increase of around 40 billion liters. In Japan alone – which must define the ethanol use as fuel this year - this increase would be of 3 billion liters/year, if the approved blend percentage is 5%.
As one of the major world ethanol producers – in 2007 the country reached 21,5 billion liters against a global demand of 54 billion liters – Brazil has plenty of conditions to become a strong player in the short term. The country has several characteristics which may lead it to a privileged position, especially due to natural factors such as the weather, relieve and arable land, all favorable to the sugarcane-based ethanol production.
Several international entities have issued public statements about the sugarcane ethanol. The World Bank (BIRD) and the Organization for the Economic Cooperation and Development (OCDE) also validate the benefits of such production, considering it the most effective from a global standpoint. Even the UN and the International Energy Agency (AIE) qualify the sugarcane ethanol as the most acceptable biofuel from an environmental perspective, if compared to those produced from corn or beet, for instance.
Even with small numbers of exports, around 4 billion liters in 2007, the domestic market alone already justifies the investments in the segment, which are not shy al all, coming from local groups, international investors or private equity funds. In 2007, the production and sales of cars in Brazil hit a record, according to Anfavea and Fenabrave. They were 2.97 million produced units, with 86% being cars which may use ethanol as fuel.
For the first time since 1986, the peak of the Proalcool Program, the E-100 ethanol surpassed gasoline, in terms of consumption nationwide. Data from January 2008 show an increase of 51,4% of ethanol in the comparison with last year’s, reaching 961 million liters.
Currently, there are at least 50 new mills being constructed and an investment estimation of US$ 14 billion in new industries until 2013. The states of Mato Grosso do Sul, Goias and Minas Gerais are the ones receiving the largest portion of those resources. This investment creates favorable conditions for the segment to grow, generating job opportunities and strengthen the local machinery industry, which is attracting a lot of attention.
this promising scenario for the domestic market, the country fights to transform ethanol into an international commodity. The inclusion of this product in the stock market would make it difficult to apply tariffs (barriers), the major issue faced by the exports. And more than overcome the roadblocks established by the EU and the US, Brasil will be able to validate the economic advantages of the sugarcane ethanol.
If, worse comes to worst, the world market does not open its doors for the ethanol, they will continue to buy sugar and the flex-fuel cars in Brazil alone will absorb the ethanol production. However, this ethanol rejection is not probable, as oil is a non-renewable source of energy and extremely polluting, which goes against the trend of environmental concern and sustainability.
Due to its environmental and socio-economic importance, this is a subject to remain part of the agendas of world’s major political and business leaders.
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