Mercado em franco crescimento
Grandes negócios envolvendo gigantes do mercado deixam claro o interesse de grupos internacionais no etanol brasileiro. O mundo começa a olhar para esse setor de outra forma
Definitivamente o etanol se tornou o centro das atenções, seja em terras tupiniquins ou além oceanos. E no ritmo dos acontecimentos, certamente continuará sob os holofotes, principalmente em função dos grandes negócios que estão surgindo. No maior e mais recente deles no Brasil, a Cosan - que tem o status de maior produtora de açúcar e álcool do País - surpreendeu o mercado, investiu cerca de 1 bilhão de dólares e comprou as operações de distribuição e venda de combustíveis da Esso no Brasil. Com isso, a empresa garantiu acesso ao varejo de álcool, segmento da economia que vem registrando forte crescimento. Além do pagamento em dinheiro de US$ 826 milhões, a Cosan assumirá US$ 163 milhões em dívidas, mas terá US$ 35 milhões em créditos líquidos com partes relacionadas existentes ao final de 2007.
Com compra, a Cosan bateu outros concorrentes pesos pesados, pois vale lembrar que os ativos da Esso também eram disputados pela Petrobras, que havia encaminhado proposta à controladora ExxonMobil International Holdings B.V, além da GP Investimentos. A Petrobrás, que já havia manifestado preocupação com o crescimento do consumo do álcool no País, o que pode fazer com que tenha que exportar seu excedente de gasolina, ganha mais uma questão para administrar. “Agora teremos que reavaliar nossa estratégia. O objetivo era ampliar mercado”, afirmou o diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, à Reuters. Ele considerou prematuro comentar sobre eventuais possibilidades de associação com a Cosan nos negócios de distribuição e comercialização.
A Esso tem 1.500 postos de serviço em 20 Estados brasileiros. Assim que o negócio foi formalizado, a empresa informou por meio de nota que acreditava poder atingir “um novo patamar empresarial com esta aquisição, ampliando seu escopo de atuação e tornando-se o primeiro player de energia renovável explorando desde o plantio de cana-de-açúcar até a distribuição e comercialização de combustíveis no varejo e no atacado”. Para entidades, como a Unica, o negócio foi mais uma demonstração clara da mudança de mentalidade que vem ocorrendo no setor sucroalcooleiro brasileiro, que no passado teria centrado preocupações empresariais “da porteira para dentro”. “O etanol vem crescendo para se tornar o combustível mais consumido no Brasil. Nesse contexto, queremos assegurar acesso direto aos consumidores”, afirmou o vice-presidente financeiro da Cosan, Paulo Diniz.
O executivo lembrou que grande parte dos postos da Esso estão localizados no Sudeste do Brasil, principalmente em São Paulo, próximos das usinas de álcool do grupo, permitindo ganhos em logística. “Esse é um reposicionamento estratégico fundamental da Cosan, a integração vertical. Estaremos melhor preparados para levar adiante o nosso negócio”, ressaltou. Ao assumir a Esso Brasileira de Petróleo S.A., a Cosan também fica com a área de produção e comercialização de lubrificantes e outras especialidades da ExxonMobil no Brasil.
Outra gigante, a britânica de energia British Petroleum (BP) adquiriu a metade da Tropical Bioenergia, joint-venture dos grupos brasileiros Santelisa Vale e Maeda por R$ 100 milhões, marcando a entrada a entrada das multinacionais do petróleo no mercado do etanol brasileiro. A BP dá o start na produção de etanol, passa a ser a controladora da empresa e prevê investir R$ 1,66 bilhão na implantação de duas usinas no centro-oeste.
A primeira delas começa a funcionar em Edéia (GO) em julho deste ano e deve procesar 4,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até a metade de 2010. A nova unidade deve produzir 435 milhões de litros de etanol por ano. E os negócios não param. A Crystalsev, que comercializa álcool e açúcar no Brasil, também se movimentou e anunciou uma associação com a americana Amyris, empresa de biotecnologia do Vale do Silício, para produzir biodiesel no Brasil a partir de 2010. Críticos que apontam o etanol como uma dos fatores para a crise de alimentos no mundo devem começar a reavaliar suas posições. Para especialistas o boom de negócios é mais uma demonstração da “fome” do mundo corporativo pelo etanol brasileiro.
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