Ilhas de diversidade
Projeto da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo pretende normatizar o plantio da cana para criar corredores verdes em prol da fauna
O termo “mar de cana”, utilizado para descrever as grandes e contíguas plantações da cultura em São Paulo, maior produtor da cultura do País, pode estar com os dias contados. Um projeto elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente pretende acabar com essa paisagem e criar “arquipélagos”, com a exigência de que existam ilhas de diversidade no meio dessas plantações. O programa, entre outras exigências, quer normatizar as diretrizes para a concessão de licenças ambientais a usinas e destilarias até 2010 e vai exigir o plantio de espécies nativas e ainda a disposição dessas ilhas de diversidade nos canaviais de uma maneira que formem corredores de conectividade entre elas.
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Esses corredores verdes devem também facilitar o desenvolvimento da fauna local. Para Helena Carrascosa, coordenadora do Projeto de Matas Ciliares da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o governo só pretende conceder novos licenciamentos ambientais para empreendimentos sucroalcooleiros e para o plantio da cana onde exista a possibilidade dessa reconstituição ambiental.
“Queremos assegurar com a medida que a matriz da paisagem, no caso das regiões de cana, não seja só o canavial e que existam ilhas em que funcionem pontos de ligação para a fauna”, explicou.
Em contrapartida, o produtor e a usina poderão descontar essa área com matas do total obrigatório de manutenção de áreas de preservação.
De acordo com a legislação brasileira, uma das mais rígidas e elogiadas do mundo, em São Paulo é obrigatória a reserva legal de 20% das áreas rurais. Além disso, as áreas de preservação permanente seguem intocáveis, como as matas ciliares. O projeto final, com as novas regras, deve ser divulgado até novembro deste ano. Outra medida ambiental anunciada pelo governo paulista foi a restrição para a queima da palha da cana-de-açúcar.
A prática, necessária para a colheita manual da cultura, está proibida entre 6 horas e 20 horas desde o último dia 1º de junho até 30 de novembro deste ano. A suspensão da queima em determinadas regiões pode ser determinada ainda, eventualmente, nos períodos noturnos, de acordo com o teor médio da umidade relativa do ar medido das 12 horas às 17 horas, nos postos oficiais determinados pela Secretaria do Meio Ambiente.
Quando o teor de umidade relativa do ar for inferior a 20%, a queima da palha da cana-de-açúcar será suspensa em qualquer período do dia. A suspensão será declarada às 18 horas do dia em que for constatado o teor de umidade do ar menor que 20%, e valerá a partir das 6 horas do dia seguinte ao da declaração de suspensão. Se o teor de umidade superar os 20%, a queima poderá ser retomada durante a noite, após autorização da Secretaria do Meio Ambiente.
Mesmo após 30 de novembro ainda serão possíveis novas suspensões da queima da palha, desde que o teor de umidade relativa do ar seja maior ou igual a 20% e menor que 30% por um período de dois dias consecutivos. Isso se ainda houver cana para ser cortada em São Paulo, que, normalmente, encerra sua safra antes de dezembro. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, apontaram uma redução de 110 mil hectares na área de queima da palha de cana-de-açúcar, comparando-se as safras 2006/2007 e 2007/2008, o que corresponde a 155 mil campos de futebol. Os dados revelaram ainda que metade dos 4,8 milhões de hectares cultivados com cana ainda é cortada manualmente.
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