Direto de El Salvador
Surgem novas perspectivas de aumento das oportunidades de comércio e de investimentos para empresas brasileiras com a Missão Comercial Brasil-SICA, em El Salvador

Os acordos de cooperação firmados pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Elias Antonio Sacca ganharam vital importância para o aumento das relações comerciais entre os países, após a realização da Missão Comercial Brasil-SICA (Sistema de Integração Centro-Americano). A América Central e o Caribe encontram-se entre as prioridades da política externa do presidente Lula. Em 2007, por exemplo, a corrente de comércio Brasil e países do SICA já havia alcançado algo em torno de US$ 2,1 bilhões, sendo que as exportações brasileiras totalizaram US$ 1,9 bilhão e as importações US$ 205 milhões.

Já na abertura do evento que contou com a presença de presidentes e vice-presidentes Centro-Americanos (Honduras, Nicarágua, Panamá, Guatemala) o presidente Lula conclamou a união entre os países latino-americanos propondo a adesão da SICA ao Mercosul, incentivou os investimentos em agricultura prometendo, inclusive, abrir um escritório da Embrapa no país.

Lula abordou especialmente a produção de alimentos e biocombustíveis – etanol e biodiesel –, indicando os verdadeiros culpados pela atual crise alimentícia mundial – o absurdo preço do petróleo e o excessivo protecionismo dos países desenvolvidos, com grandes prejuízos aos países em desenvolvimento.

Dimas Facioli

Na segunda parte do Fórum, houve um workshop sobre biocombustíveis, liderado por Maurilio Biagi Filho, com a presença de autoridades locais e especialistas brasileiros. O projeto de lei de mistura obrigatória de 10% de etanol à gasolina consumida em El Salvador tornou-se o centro do debate. O empresário Maurilio Biagi Filho cobrou novamente o presidente Antonio Elias Sacca, que um ano antes havia se comprometido a enviar a lei de mistura ao Congresso. Porém, não o fez.

E mais: ao final de três horas de debate, Maurilio Biagi Filho fechou a discussão afirmando, com base em dados técnicos locais, que El Salvador tem plenas condições de produzir os 15 milhões de galões necessários para suprir a demanda de etanol e atender a mistura obrigatória, apenas com o melaço produzido atualmente pela CASSA, sócia salvadorenha da brasileira Cristalsev. O presidente Sacca afirmou categoricamente ao presidente Lula, que a lei está pronta para ser enviada ao Congresso e prometeu que isso aconteceria em breve. A previsão é que em outubro, Lula retorne a El Salvador para o Encontro Ibero-Americano. A expectativa é que até lá a questão já esteja devidamente resolvida.

MAPA MUNDIAL DA PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR
SUGARCANE PRODUCTION WORLD MAP


O workshop sobre biocombustíveis ainda teve as participações de Nelson José Cortes da Silveira, vice-presidente do Conselho de Administração da Brasil Ecodiesel, o presidente da Associação Açucareira Salvadorenha, Francisco Armando Arias, superintendente-adjunto de Abastecimento da ANP, Carlos Orlando Enrique da Silva, diretor-executivo do CEDES (Conselho Empresarial Salvadorenho para o Desenvolvimento Sustentável), Luiz Lopez Lindo.

Em formato de debate, mediado por Antonio Carlos Aidar da FGV, todos os participantes fizeram uma breve apresentação. Foram abordados pontos essenciais sobre a participação dos biocombustíveis no contexto global, as falácias que têm sido disseminadas contra o etanol e o biodiesel em contraposição à produção de alimentos e a liderança do Brasil nessa questão. Munido de muitos dados, gráficos e argumentos, Maurilio Biagi destacou mais uma vez, como já fizera na Holanda, durante o Seminário Empresarial Brasil-Holanda, no World Forum Convention, que os biocombustíveis são parte das medidas para se reduzir significativamente a emissão de CO2 na atmosfera, são uma oportunidade para os países em desenvolvimento na geração de trabalho, fortalecimento da economia, incorporação de novas tecnologias e aproveitamento de progressos genéticos de produtos como a cana, trigo.

Biagi destacou que as críticas sobre o impacto dos biocombustíveis nos preços dos alimentos são baseadas em argumentos que levam a conclusões equivocadas. “Não fazem diferença entre as várias matérias primas usadas na produção do etanol. Ignoram o grande desafio do século XXI, o aquecimento global e como mitigar seus efeitos. Ignoram o impacto dos altos preços do petróleo sobre o preço dos alimentos e não incluem os efeitos da especulação financeira sobre os preços das commodities e nem o impacto do rápido aumento da demanda por alimentos em economias emergentes como Índia e China”, sublinhou.

BALANÇO ENERGÉTICO
ENERGY BALANCE


Um dado de extrema importância foi destacado por Biagi: se cada chinês consumir a mesma quantidade de carne bovina que um brasileiro, algo em torno de 25.5 quilos ao ano, a China seria responsável por 75% do consumo mundial.

Quando os chineses começam a comer mais frango, cresce a demanda pelo milho e o custo de transporte, por exemplo. Em 2005, a carga marinha de 100.000 toneladas de soja era de US$ 30.000. Hoje está em torno de US$ 200.000. O consumo do petróleo na China era de 15% do consumo americano. Hoje é 30%, projetando-se que chegará em 50% até 2025. “O custo chinês com petróleo será, então, cinco vezes mais do que o consumo brasileiro atual”, concluiu.

REGIÕES PRODUTORAS DE CANA-DE-AÇÚCAR NO BRASIL
SUGARCANE PRODUCING REGIONS IN BRAZIL

 

 
 
 
 
 
 
 

International

Direct from El Salvador
New perspectives of opportunities in trading and investments for the Brazilian corporations with the Commercial Mission Brazil-SICA, in El Salvador

The Cooperation Agreements signed by President Luiz Inacio Lula da Silva and Elias Antonio Sacca were critical for the increase in the commercial relationship among the countries, after the Commercial Mission Brasil-SICA (Centro-American Integration System). Central America and the Caribbean are among the top priorities in President Lula’s external policy. In 2007 for instance, the trade flow between Brazil and the SICA countries had already reached around US$ 2.1 billion, being the Brazilian exports US$ 1,9 billion and the imports US$ 205 million.

In the Event’s opening, with the presence of Centro-America Presidents and Vice-Presidents (Honduras, Nicaragua, Guatemala and Panama), President Lula called the countries into union, proposing SICA to join Mercosul, encouraged investments in the agriculture, including the opening of a EMBRAPA office in El Salvador.

Lula talked about the conflict between food and biofuels – ethanol and biodiesel – nominating the true ones to blame for the current world food crisis – the absurd oil prices and the excessive protectionism from the developed countries, with great harm to the developing countries.

In the Forum’s second part, there was a Biofuels Workshop, leaded by Maurilio Biagi Filho, with the presence of local authorities and Brazilian experts. The Law which foresees the mandatory blend of 10% ethanol into the gasoline in El Salvador was the center of the debate. Maurilio Biagi Filho wondered again why the law hadn’t been sent to Congress to be voted, as it was promised by President Sacca one year before, but never happened.

And more: at the end of three-hour-debate, Maurilio Biagi Filho closed the discussion by making a statement, based on local technical data, that El Salvador already has total conditions to produce the necessary 15 million gallons of ethanol to supply the demand and meet the mandatory blend, using only the molasses currently produced by CASSA, El Salvador’s partner to the Brazilian Trading Crystalsev. President Sacca told President Lula that the law is ready to be sent to Congress and it would happen soon. Lula is expected to be back in El Salvador in October for the Ibero-American Summit. The expectation is that until then this issue will be solved.

The Biofuel Workshop had the participations of Nelson José Cortes da Silveira, Vice-President of the Board for Brasil Ecodiesel, the President of El Salvador Sugar Association, Francisco Armando Arias, The Supply Superintendent for ANP (Oil National Agency) Carlos Orlando Enrique da Silva, Executive-Director for CEDES (El Salvador’s Business Council for the Sustainable Development) Luiz Lopez Lindo.

In the debate which had as mediator Antonio Carlos Aidar from FGV, all the guests made a brief initial presentation. Essential issues were discussed such as the biofuels share in the global context, the fallacies which have been disseminated against ethanol and biodiesel as opposed to the food production and Brazil’s leadership in that segment. With numbers, graphs and a whole set of points to make, Maurilio Biagi highlighted once again, as he had already done in the Netherlands, that the biofuels are only part of the measures to be taken to reduce the CO2 emissions and biofuels are an opportunity for the developing countries by generating jobs, economy strengthening, incorporation of new technologies and better use of genetic process for products such as cane and wheat.

Biagi emphasized that the criticism about the biofuels impact on the food prices are based on statements which lead to the wrong conclusions. “Those people don’t see the difference among the several feedstock used to produce ethanol. They ignore the great challenge of the 21st Century, which is the global warming and how to mitigate its effects. They ignore the impact of the high oil prices over the food prices and do not include either the effects of the financial speculation over the commodities or the impact of the quick increase of the food demand by the emerging markets such as India and China”.

Another extremely important data was highlighted by Biagi. For instance, if each Chinese starts consuming the same quantity of bovine meat consumed by a Brazilian, something around 25.5 kilos per year, China would be responsible for 75% of the world’s consumption. When the Chinese eat more chicken, the demand for corn grows as well as the transportation cost. In 2005 the marine freight of 100.000 tons of soy was US$ 30.000. Today it is around US$ 200.000. China’s oil consumption was equivalent to 15% of the American consumption. Today it is 30%, with estimative of 50% in 2025.

“Then, the Chinese cost with oil will be five times higher than the current Brazilian consumption”, concluded.