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Ainda uma leve brisa
Mesmo com alguns projetos em execução, potencial eólico do Brasil ainda é pouco explorado
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Falta muito para que o Brasil venha a utilizar todo o potencial da energia gerada pelos ventos. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) existem hoje 16 empreendimentos de fonte eólica em operação no país. Em conjunto, eles possuem uma potência de 247 mil kilowatts (kW) e pode chegar a pouco mais de 248 mil kW, montante que representa apenas 0,24% da potência atual do país. A tabela da agência mostra ainda que outros 16 empreendimentos deste tipo estão em construção (149 mil kW), e mais 62 receberam autorização do governo, o que poderá elevar em aproximadamente 3,4 milhões de kW a potência em energia eólica do Brasil. Já o Informativo Preliminar Diário de Operação (IPDO) do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que apenas 0,13% da energia gerada no país vem dos ventos.
Com os projetos outorgados de 1998 a 2008, a potência instalada, de acordo com a Aneel, pode passar dos 0,24% para 11,98%, quando todos os projetos estiverem concluídos, com redução de outras fontes geradoras. Financiamentos para novos projetos podem ser encontrados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Nordeste (BNB). A energia eólica recebe pouca importância, por exemplo, no Plano Nacional de Energia 2030, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), embora os pesquisadores afirmem que o Brasil possui grande potencial para a exploração energética proporcionada pelos ventos, principalmente na região Nordeste.
Para o professor de Engenharia Elétrica da Universidade de São Paulo (USP) Adriano Mendes Carneiro, a energia deve solucionar problemas locais, como os estados do Nordeste.
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Segundo Paulo Ludmer, diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), quase a totalidade dos projetos instalados pertence ao Programa Nacional de Incentivo a Fontes Alternativas (Proinfa), devido a incentivos previstos. Ele afirma que o potencial brasileiro é de 150 GW em terra firme e “num cálculo conservador”. Vários entraves, no entanto, atrasam a implantação de novos aerogeradores. São, de acordo com o diretor da ABEEólica, dificuldades de natureza tributária (encargos e tributos muito elevados), ambientais (uso do solo), referentes à exigência do índice de nacionalização de 60% (faltam fornecedores nacionais), securitárias (garantias e seguros elevados), taxas de juros muito altas, aumento do preço do aço (componente de custo muito expressivo), inexistência de um programa eólico nacional de longo prazo (incertezas regulatórias), inexistência de leilões de energia nova exclusivos para o setor eólico, entre outras.
Produção doméstica
Uma família de cinco pessoas, por exemplo, morando em uma casa com cerca de 20 lâmpadas e demais aparelhos elétricos e eletrônicos, poderia utilizar a energia eólica. Mas o valor do investimento ainda assusta. Um pequeno aerogerador, importado, custa pelo menos R$ 15 mil. “Onde não há energia e há vento constante e qualificado, pode ser uma solução”, aponta Paulo Ludmer. Supondo que esta família gaste R$ 200 por mês de energia elétrica, seriam 75 meses para “pagar” o aerogerador, sem contar a manutenção do período. Além disto, esta residência deveria estar no litoral do Nordeste, até o Amapá, áreas litorâneas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e vale do Rio Jequitinhonha, onde os ventos sopram a favor.
O governo já sinalizou com a possibilidade de um leilão exclusivo para eólicas, mas não é ainda uma posição definida. A Energias do Brasil aguarda esta comercialização para ampliar seus investimentos no setor, com a expansão do parque eólico adquirido em maio de 2008 em Santa Catarina. Atualmente, o parque gera 13,8 MW, mas há um projeto para aumentar a capacidade em 70 MW. A empresa também desenvolve projeto em parceria com a Cemig, que prevê a implantação de até 500 MW de eólicas em Minas Gerais e no Espírito Santo.

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Energy
Still a light breeze
Even considering the current projects, Brazil’s eolic potential is still little explored
There is still a lot to be done so Brazil can explore the whole potential of the energy coming from the winds. According to data provided by the National Agency of Power (Aneel), there are currently 16 projects using eolic source in operation in Brazil. Altogether, they have the capacity of 247 thousand kW and can reach a little more than 248 thousand kW, which represents only 0,24% of the current Brazil’s capacity. The entity’s table shows that another 16 similar projects are under construction (149 thousand kW) and other 62 got government’s license, which can increase the eolic energy capacity in approximately 3,4 million kW. The Preliminary Informative of Operations (IPDO) from the National Operator of the Electric System (ONS) indicates that only 0,13% of the energy generated in the country come from the winds.
With the projects authorized between 1998 and 2008, the installed capacity, according to Aneel, can go from the 0,24% to 11,98% when all the projects reach completion, with reduction of other generating sources.
Financing for new projects can be found at the National Bank for the Economic and Social Development (BNDES) and the Bank of Northeast (BNB). The eolic energy does not rank high in the national Energy Plan 2030, performed by the Energetic Research Company (EPE), although the researchers emphasize Brazil’s great potential for the energetic exploration of the winds, mainly in the Northeast region. For the Professor of Electric Engineering of the São Paulo University (USP) Adriano Mendes Carneiro, this type of energy should solve local energy problems, such as the Northeast states.
According to Paulo Ludmer, Executrive Director of the Brazilian Association for the Eolic Energy (ABEEolica), almost all the projects installed belong to the National Program of Incentive to Alternative Sources (Proinfa), due to estimated incentives. He states that the Brazilian potential is of 150 GW in a “conservative perspective”. Several roadblocks though, delay the implementation of new air-generators. They are, according to the Director of ABEEolica, tax difficulties (high taxes and charges), environmental issues (use of the soil), nationalization issues, related to the legal requirement of 60% (there is a lack of local suppliers), security (guarantees and high insurances), high interest rates, increase of the steel prices, the inexistence of a long-term national eolic program (regulatory uncertainties), the lack of exclusive energy bids for the eolic sector, among others.
Domestic Production
A five-member family for instance, living in a house with about 20 lamps and other electric and electronic equipments, could use the eolic energy. But the investment is still terrifying. A small air-generator, imported, costs at least R$ 15 thousand. “Where there is no energy and enough wind, this could be a solution”, indicates Ludmer. Supposing this family spends R$ 200 a month with their energy bill, it would be 75 months to “pay” for the generator, not considering the maintenance costs. Besides, this house should necessarily be located in the seaside of Santa Catarina, Rio Grande do Sul and the Valley of the Jequitinhonha River, where the winds blow favorably.
The government has already signalized with the possibility of an exclusive BID for eolic, but it is still undetermined. The company Energias do Brasil expects this commercialization to increase their investments in the sector, with the expansion of the eolic park acquired on May 2008, in Santa Catarina. Currently, the park generates 13,8 MW, but there is a plan to increase the capacity by 70 MW. The company also develops projects in partnership with CEMIG, which foresees the implementation of up to 500MW with eolics in Minas Gerais and Espirito Santo.

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