Novas fronteiras à vista

Com critérios de qualidade mais apurados álcool brasileiro ganha espaço no mercado internacional

Maior fornecedor mundial de álcool, o Brasil deve exportar 5 bilhões de litros do combustível na safra 2008/2009, bem acima dos 3,9 bilhões de litros previstos inicialmente. Além do crescimento natural da demanda, dois contratos assinados nesta safra mostram que o País pode agregar valor em mercados já conquistados, como a Suécia, e ampliar os negócios com mercados restritos, como o Japão. Os dois negócios, com rígidos critérios de sustentabilidade devem servir como vitrine para a ampliação do comércio exterior do combustível brasileiro. Quatro companhias sucroalcooleiras – Cosan, Alcoeste, Guarani e NovAmérica – realizaram o primeiro embarque de etanol com a verificação de importantes critérios de sustentablilidade para a Suécia. Intermediado pela SCA Trading, foi o primeiro contrato deste tipo feito no planeta e celebrado entre as empresas brasileiras com a sueca Sekab, a maior compradora de etanol brasileiro na Europa.

O contrato prevê a exportação de um volume total de 115 milhões de litros de etanol durante um período de nove meses. A inovação no acordo é o fato de as empresas produtoras estabeleceram, junto à Sekab, um processo de comprovação por meio de uma empresa internacional e independente, a qual deverá realizar uma auditoria em todas as unidades produtoras duas vezes por ano. A auditoria vai verificar o cumprimento, pelas usinas brasileiras, de seis requisitos pré-estabelecidos: a redução da emissão de dióxido de carbono; a existência de patamares mínimos de mecanização da colheita; o compromisso com a conservação das áreas de mata nativa; tolerância zero ao trabalho infantil e não-regulamentado; respeito aos pisos salariais do setor; e adesão e cumprimento das metas estabelecidas pelo Protocolo Agroambiental, assinado com o governo de São Paulo.

Baseadas no tripé ambiental-social-econômico, básico da sutentabilidade, as companhias sucroalcooleiras se comprometem em cumprir as leis trabalhistas, a manter o respeito às normas ambientais e a realizarem, no mínimo, 30% da colheita da cana-de-açúcar mecanizada em área plana, com previsão de chegar a 100% em seis anos. Reforçam também seu compromisso em se adequar às normas do Protocolo Agroambiental, firmado com o Estado de São Paulo e que estipula o fim da prática de queimada das lavouras até 2014. A parceria com a Sekab estipula, além da intolerância ao trabalho infantil e às condições de trabalho não-organizadas, a preservação de áreas de florestas tropicais e a redução das emissões de dióxido de carbono em todo o processo de produção do etanol para níveis 85% inferiores aos registrados no uso equivalente da gasolina. Além de concentrar o desenvolvimento do mercado de bioetanol no norte da Europa, a sueca Sekab é também uma das líderes mundiais no desenvolvimento de tecnologia e processos de produção do álcool a partir de celulose, com uma usina piloto em operação desde 2004.

Sob os olhos dos ministros do Desenvolvimento do Brasil, Miguel Jorge, e da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Akir Amari, a Copersucar e a Japan Biofuels Supply LLP (JBSL) assinaram um acordo comercial para o fornecimento de 200 milhões de litros de etanol destinado à fabricação de bio-ETBE, misturado à gasolina vendida no país oriental. De acordo com a Copersucar, pelos preços atuais de mercado o memorando de entendimento com a JBSL equivale a uma receita superior a US$ 100 milhões anuais. Para o diretor executivo comercial da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, o negócio com a JBSL acontece em sintonia com uma estratégia da empresa brasileira para ampliar negócios no mercado internacional de etanol carburante, no qual o Japão tende a ser tornar um importante cliente a partir da decisão de seu governo em misturar bio- ETBE à gasolina. O etanol corresponde a 43% da matéria-prima utilizada na produção de bio-ETBE. O diretor lembra ainda que o Japão já figura entre os maiores compradores mundiais de álcool para fins industriais. “É um contrato de longo prazo, pioneiro, com cláusulas de sustentabilidade e que reflete o êxito de nossa estratégia para crescer em todos os mercados de álcool carburante”, assinala Souza.

O diretor-presidente executivo da Copersucar, Luís Roberto Pogetti, considera que o negócio com a JBSL segue motivações sócio-ambientais. “O Japão tem adotado medidas para reduzir a emissão de gás carbônico e quer mostrar ao mundo que está na vanguarda na luta contra o aquecimento global”. Pogetti destaca que a escolha da Copersucar como fornecedora reflete a preocupação dos japoneses no sentido de ingressar de maneira séria e perene no mundo dos biocombustíveis. “O memorando de entendimento com a JBSL reforça nossa estratégia de crescer por meio de relacionamentos de longo prazo, abertura de mercados e quebra de paradigmas”, complementa Pogetti. O faturamento da Copersucar foi de aproximadamente R$ 4,5 bilhões na última safra, encerrada em março de 2008 “Este desempenho resulta de uma política arrojada de exportações e ao mesmo tempo de nosso comprometimento com parceiros industriais e comerciais do mercado interno”, enfatiza o presidente do Conselho de Administração da Copersucar, Hermelindo Ruete de Oliveira.

Ele assinala que para aumentar a participação da Copersucar nos mercados interno e externo de açúcar e de álcool, as associadas realizam importantes investimentos no aumento da produção. Quatro novas usinas com a primeira safra em 2008 responderão por expressiva parcela do crescimento projetado para as receitas da Copersucar na atual safra 2008/09, da ordem de 20%. A participação das exportações deverá ser mantida em 40% do faturamento, segundo Ruete de Oliveira.

A moagem de cana da Copersucar deverá saltar para 70 milhões de toneladas, contra 65 milhões de toneladas da safra 2007/2008. A produção de açúcar está estimada em 3,9 milhões de toneladas, alta de 10%, e a de álcool crescerá 14%, para 3,7 bilhões de litros. A cooperativa, fundada em 1959, conta atualmente com 33 unidades produtoras. Já a  JBSL foi criada em janeiro de 2007, como uma iniciativa da Petroleum Association of Japan (PAJ). O governo japonês e a PAJ estabeleceram que, até o ano de 2010, 840 milhões de litros de bioetanol e bio-ETBE por ano devam ser adicionados à gasolina, como forma de reduzir emissões de carbono na atmosfera.

 
 
 
 
 
 
 

Ethanol

New Frontiers
Considering the current demand for high-quality standards, the Brazilian ethanol gains share in the international market

The largest ethanol supplier worldwide, Brazil is expected to export 5 billion liters in the 2008/2009 season, much more than the 3.9 billion previously estimated. Besides the natural demand increase, two contracts were signed this season demonstrating the country’s ability to add value to markets already conquered, such as Sweden, and to increase business in restricted markets such as Japan.

The two deals, under rigid sustainability criteria, will serve as a showcase to help improving the trading with the Brazilian fuel. Four sugarcane companies – Cosan, Alcoeste, Guarani and NovAmerica – made the first ethanol shipment to Sweden under the certification of important sustainability criteria. Intermediated by SCA Trading, this was the first contact of such kind in the planet and was celebrated between the Brazilian companies and the Swedish SEKAB, the largest Brazilian ethanol buyer in Europe.
The contract foresees the export of 115 million liters of ethanol during nine months. The innovation in the agreement is the fact that the producers established, together with Sekab, a certification process through an international and independent company, which should perform an auditing in the producing units twice a year.

This auditing will check the compliance of six pre-established requirements: the reduction of carbon dioxide; the existence of minimum standards of mechanized harvesting; the commitment with the preservation of the native forests; zero tolerance with children’s labor and non-regulated labor force; respect to the minimum wage in the sector; and adherence and compliance with the established goals ruled by Environmental Protocol, signed with the State of São Paulo government.

Based on the environmental-social-economical basic pillars of sustainability, the sugarcane producers committed to comply with the labor laws, respect the environmental regulations and to perform at least 30% of mechanized harvesting, with estimations to reach 100% in six years. They also reiterate their commitment in complying with the rules established by the Environmental Protocol, signed with the State of São Paulo Government, which determines the end of the burnings until 2014.

The partnership with Sekab points out that, besides the zero tolerance with the children labor and non-regulates labor force, the preservation of tropical forests and the reduction of the carbon dioxides in the whole ethanol production process to levels 85% below those registered by gasoline.

With the presence of the Minister of Development in Brazil, Miguel Jorge, and the Minister of Economy of Japan, Akir Amari, Copersucar and Japan biofuels Supply LLP (JBSL) signed a commercial agreement for the supply of 200 million liters of ethanol destined to the manufacturing of bio-ETBE, to be blended to the gasoline sold in that country. According to Copersucar, considering the current market prices, the agreement with JBSL is equivalent to an income above US$ 100 million a year.

For the Executive Director of Copersucar, Paulo Roberto de Souza, the deal with JBSL is aligned with the Brazilian company’s strategy focused in increasing their market share the international scenario for the ethanol as a fuel, and Japan is a key client, due to the government’s decision to blend the Bio-ETBE into their gasoline. Ethanol is equivalent to 43% of the feedstock used in the production of the bio-ETBE. The Director reminds us that Japan is already one of the top ethanol buyers worldwide. “This is a long-term contract, unique and pioneer, with sustainability clauses and it reflects the success of our strategy to grow in all the markets of ethanol fuel” states Souza.
The Executive President of Copersucar, Luis Roberto Pogetti, considers that the deal with JBSL follow social-environmental reasons. “Japan has adopted measures to reduce emissions and they want to show the world their commitment to fight global warming”. Pogetti highlights that their decision to choose Copersucar as a supplier reflects their concern to get into the biofuels market in a serious and sustainable way.

“The Memorandum of Understanding with JBSL reinforces our strategy to grow through a long-term relationship, the opening of new markets and to break paradigms” complements Pogetti. Copersucar’s revenue was approximately R$ 4,5 billion in the last season, ended March 2008. ‘This performance was a result of a bold export strategy and at the same time, from our commitment with our industrial and commercial partners in the domestic market” emphasizes Copersucar’s Chairman of the Board, Hermelindo Ruete de Oliveira.

He indicates that in order to increase Copersucar’s participation in both the external and the domestic markets, their associates perform important investments in the production growth. Four new units with their first season in 2008, will respond for a significant portion of the estimated growth for Copersucar’s revenues in the current season of 2008/2009, about 20%. The export share should be kept under 40% of the revenue, according to Ruete de Oliveira.

 Copersucar’s total crushing should jump from 70 million tons, against 65 million tons from the 2007/2008 season. Sugar production is estimated in 3.9 million tons, 10% growth and the ethanol should grow 14%, to 3.7 billion liters. The Cooperative founded in 1959, counts with 33 producing units. JBSL was founded in January 2007, as an initiative of the Petroleum Association of Japan (PAJ). The Japanese Government and PAJ establish that, until the end of 2010, 840 million liters of bio-ethanol and bio-ETBE should be added into their gasoline per year, as a tool to reduce carbon emissions in the atmosphere.