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Passaporte para o mercado
A sustentabilidade não é mais opcional para as usinas. Tornou-se critério de exclusão comercial
A decisão preliminar da União Européia de extinguir o subsídio de 45 euros por hectare para os produtores de matérias-primas usadas na fabricação de etanol, abre a perspectiva de um mercado muito interessante para o setor sucroalcooleiro do Brasil. Para combater a poluição, a UE pretende ampliar o uso do álcool para 5,75% de todo o combustível do Bloco até 2010 - e 10% em 2020. O abastecimento da parte do mercado que não será suprida internamente deve ser disputado entre Brasil, África Subsariana, Caribe e outros países da América Latina. O setor sucroalcooleiro nacional é favorito para abocanhar as maiores fatias.
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O custo brasileiro de produção de etanol se aproxima de US$ 0,25 por litro. Maior fabricante mundial, os Estados Unidos investem pelo menos US$ 0,45 para gerar a mesma quantidade. “Além disso, temos terras agricultáveis para fabricar o combustível para atender o mercado interno, e o externo”, afirma o diretor do Grupo Balbo, Jairo Balbo.
Mas a grande competitividade e os baixos custos brasileiros podem não ser suficientes no atual ambiente de globalização mercantil - a conquista do mercado dependerá de outros fatores. “Não existindo mais argumentos econômicos para barreiras alfandegárias por parte, principalmente, da Europa e Estados Unidos, os mesmos irão impor critérios de qualidade de produto assim como obstáculos sociais e ambientais”, prevê o diretor administrativo e financeiro do Grupo Sabarálcool, Fábio Vicari Rezende. Já é sabido que a União Européia prepara uma relação de critérios que priorizarão a sustentabilidade do país produtor para determinar seus fornecedores.
Argumentos contrários
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A favor dos concorrentes brasileiros pesarão argumentos baseados em pareceres como o relatório anual de 2008 sobre direitos humanos da Anistia Internacional. A entidade citou que no ano passado “foram registrados em muitos estados, trabalho forçado e condições de trabalho exploradoras”, além da libertação de mais de mil funcionários de uma usina em condições “análogas à escravidão”.
O setor sucroalcooleiro se defendeu. Em nota divulgada à imprensa, o presidente da União dos Produtores de Bioenergia, José Carlos Toledo, admitiu que existem abusos de trabalhadores, mas em “raríssimas exceções”. “Não podemos deixar de destacar também que esses números não representam sequer 0,05% do universo de trabalhadores que estão envolvidos em nossa cadeia”. São casos herdados da tradicional formatação do setor sucroalcooleiro nacional, formado inicialmente por administrações de fazendas de cana e depois influenciado pela regulamentação do segmento pelo governo, período em que as preocupações sociais e ambientais eram desnecessárias para o negócio.
Hoje vistas como empresas agrícolas e unidades produtoras de alimentos e energia, as usinas ainda não enquadradas no novo conceito terão pouco tempo para se adaptar ao novo contexto. “A empresa precisa ter uma visão bem clara de sustentabilidade econômica, oferecendo produtos de boa aceitação no mercado, além de transformar em rotina as boas práticas ambientais e sociais”, explica o assessor de relações institucionais do Grupo Cosan, Erotides Gil Bosshard. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar, o setor sucroalcooleiro nacional está próximo do nível A em sustentabilidade. A entidade, somente no Estado de São Paulo, já selecionou mais de 300 projetos de responsabilidade social.
Para a entidade, além de ampliar significativamente cursos, seminários e projetos sociais, as usinas já conseguem compreender a responsabilidade social como um processo de gestão sustentável. “Para nós, a responsabilidade social não pode ser confundida com filantropia ou mero respeito às leis. Porém, entendida e praticada como um conjunto consistente de políticas sociais, cujos resultados agreguem valor a organização e à comunidade”, confirma Rezende.
Usinas exemplo
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Com esta filosofia, o Grupo Sabarálcool investiu no ano passado R$ 4,5 milhões no Programa de Assistência Social (PAS), recursos aplicados em projetos de integração entre a empresa, a família e a comunidade. Alguns exemplos são os programas “Nascer Feliz”, que acompanha as gestantes, o projeto odontológico de prevenção para bebês “Sorriso Feliz”, além de programas de combate às drogas e violência, de Orientação Psicológica à APAE, de Apoio ao Grupo de Idosos, e Programa de Orientação Vocacional aos Alunos do Ensino Médio.
Há ainda ações sociais desenvolvidas durante o ano, com as campanhas “Natal sem Fome”, “Agasalho”, “Vacinação” e “Combate às Doenças Sexualmente Transmissíveis”. “Este ano, o Grupo se certificará com a norma ISO14001, eliminando assim qualquer barreira ambiental. E, para 2009, planeja a certificação SA 8000, eliminando por fim qualquer barreira social”, revelou Rezende.
Para conquistar os mercados vislumbrados, o Grupo Balbo, que tem duas usinas em Sertãozinho, aposta no cultivo orgânico. Em quatro anos, toda a cana-de-açúcar própria da empresa será produzida com este conceito, que elimina queimadas e agrotóxicos e outros produtos químicos. Atualmente, toda a área da Usina São Francisco, 7 mil hectares, já é orgânica. Com o mesmo tamanho, a Usina Santo Antônio ainda cultiva 3.500 ha de forma convencional, o que será transformado gradativamente em orgânico até 2012. Das 3,7 milhões de toneladas de cana previstas para a safra 08/09, o que inclui matéria-prima própria e de fornecedores, 1,3 milhão de ton serão provenientes de cultivo orgânico.
Os volumes orgânicos ganharão em porcentagem nos próximos anos. Para o diretor industrial do Grupo, Jairo Balbo, a prática vai determinar negócios no futuro próximo. “Hoje, a consciência ecológica está aumentando. Este será o nosso diferencial para buscar os mercados internacionais”.
A responsabilidade ambiental também é foco de outras 145 usinas de São Paulo que aderiram voluntariamente ao Protocolo Agroambiental, lançado no ano passado pelo Governo Estadual. O acordo antecipa os prazos para o fim das queimadas nos canaviais do Estado. Pela lei atual, o prazo previsto para a eliminação das queimadas em áreas normais é 2021. O projeto reduz para 2014 em áreas mecanizáveis, e 2017 para áreas atualmente não-mecanizáveis.
Segundo o embaixador Rubens Ricupero, embora louváveis, as iniciativas brasileiras não devem se guiar apenas pela possibilidade de abertura comercial. Para ele, a exigência dos europeus com as práticas ambientais e sociais não é mera barreira protecionista. “Essa preocupação é sincera na Europa e o Brasil também tem que se conscientizar disso não apenas para abrir mercado, mas porque é correto. Tudo isso faz bem para nós mesmos”, observa.
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Management
A “green card” to
the market
Sustainability is not only one more option – it became a commercial exclusion factor
The EU preliminary decision to eliminate the €45/hectare subsidy for the producers of feedstock for the ethanol production opens a new door of a very interesting market for Brazil’s sugarcane sector. In order to fight pollution, the EU intends to increase the ethanol blend to 5,75% for all the fuel within the union until 2010 – and 10% in 2020. Part of the market which will not be supplied domestically will be disputed by Brazil, Africa, the Caribbean and other Latin American countries.
The Brazilian cost for the ethanol production is close to US$ 0.25 per liter. The largest producer, the US, invest at least US$ 0.45 to generate the same volume. “Besides, we have arable land available to supply both the domestic and the international markets” states the Director of the Balbo Group, Jairo Balbo.
However, the competitiveness and the low costs in Brazil may be not enough in the current global market – the conquest of the market will depend on other factors as well. “By the time the economic and trade barriers are finally solved, especially from the US and EU, they will impose other standards for the product’s quality as well as social and environmental barriers” foresees the Director of Administration and Finance from the Sabaralcool Group, Fábio Vicari Rezende. A report is already being prepared with a list of topics which will prioritize the sustainability of the producer country in order to select their suppliers.
Against the Brazilian Ethanol
Issues based in reports such as the Amnesty International’s Human Rights Report 2008 are heavy weights in favor of the Brazilian competition in this field. The entity mentioned that last year “in several states, there were several cases of forced work and poor working conditions registered, besides the freedom of more than 1000 employees from a Production Unit in conditions considered “similar to slavery”
The producers immediately responded. In a Press Statement, the President of the Bioenergy Producers Association, José Carlos Toledo recognized the fact that there may be abusive treatment towards workers but they are “absolutely rare exceptions”. “We must emphasize that those numbers represent less than 0.05% of the universe of workers involved in our production chain”. Those are “inherited” cases of the old tradition in the sugarcane sector, which was initially composed by farmers and farm managers from a period when the social and environmental aspects were not considered.
Today, seen as Agribusiness Corporations and Food & Energy Production units, the mills and distilleries which haven’t made the proper changes will have very little time to adjust to the new concept. “The company must have a clear vision of the economical sustainability, offering good products with good insertion in the market, as well as turning the social and environmental good practices into routine”, explains the Corporate Affairs Assistant of Cosan Group, Erotides Gil Bosshard. According to the Sugacarne Industry Association, the sector is very close to grade ‘A’ in sustainability. The entity has already selected more than 300 projects of social responsibility.
For the entity, besides increasing significantly the number of courses, workshops and social projects, the units have already assimilated the social responsibility concept as a process of sustainable management. “For us, social responsibility cannot be confused with philanthropy or mere law compliance, but understood and practiced as a set of consistent social policies, which results add value to the organization and the community”, states Rezende.
Role Models
Within that philosophy, last year the Sarabalcool Group invested R$ 4.5 million in the Social Assistance Program (PAS), funds used in integrated programs for the company, family and community. Some examples are the ‘Happy Born’ program which assists the mothers-to-be, the deontological prevention program for babies ‘Happy Smile’, as well as Drug &Violence Combat Programs, Psychological Assistance, Support to the Elderly and the Profession Guidance Program for the High-School Students.
Additionally, there are social projects being developed during the whole year, such as the campaigns “Hunger-Free Xmas”, “Winter Blanket Distribution”, “Vaccination” and the fight against the Sexually Transmitted Diseases”. This year, the Group will be granted the ISO 14001, eliminating any possible environmental obstacle. “And for 2009, we are planning the SA 8000 certification, which will eliminate eventually any social barrier”, revealed Rezende.
In order to get to those desired markets, the Balbo Group with two producing units in Sertãozinho, São Paulo, bets on the organic crop. In 4 years, all their sugarcane will be produced under the organic concept which eliminates the burning as well as all the agrochemicals. Currently, the whole area of Usina São Francisco is already organic (7 thousand hectares). About the same size, Usina Santo Antonio still harvests 3.500 hectares under the conventional concept and will gradually be turned into organic until 2012. From the 3.7 million tons of cane estimated for the 08/09 season (owned and 3rd. party cane) 1.3 million tons will be coming from the organic crop.
The organic volumes will increase in the next years. For the Director of Industry, Jairo Balbo, being organic will be critical for the business in the near future. “Today, the ecological awareness is increasing. This will be our differential in looking at the international markets.”
The Environmental Responsibility is also a target for the other 145 producing units in the São Paulo State, which voluntarily adhered to the AgroEnvironmental Protocol, launched last year by the State Government. The agreement advances the timelines for the elimination of the burnings in the sugarcane crops. By the current law, the estimated deadline for the elimination in regular areas would be 2021. The protocol reduces it to 2014 in mechanized-favorable areas and 2017 for the currently non-mechanized areas.
According to the Ambassador Rubens Ricupero, although excellent, the Brazilian initiatives must not be guided only by the commercial appeal. In his view, the European demands related to the good social and environmental practices cannot be considered ‘barriers’ “Their concern is legitimate and Brazil should be encouraged to comply with them not only for commercial reasons, but because it’s the right thing to do. It is good for us”, adds.
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