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O emprego da mecanização
Avanço da mecanização pode extinguir emprego de cortadores de cana até 2015; governo e iniciativa privada estudam como qualificar trabalhadores para outras funções
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Até 2010, o mercado brasileiro de colhedoras de cana, dominado atualmente por três empresas, ganhará mais dois concorrentes. Ambas do grupo AGCO, Valtra e Massey Fergusson anunciaram recentemente investimentos milionários em projetos para desenvolvimento de novas máquinas. Tradicional fabricante de tratores, a Valtra, que também acaba de lançar sua linha de colheitadeiras de grãos, anunciou o projeto da máquina de cana no ano passado – o modelo deve começar a ser vendido em 2009. A Massey Fergusson surpreendeu o mercado ao divulgar que também está desenvolvendo uma colhedora de cana.
Segundo o diretor comercial da marca, Carlito Eckert, o modelo terá diferenças em relação à máquina da Valtra. “É um projeto em gestação, mas terá características próprias. A partir de 2009 vamos iniciar os testes”.
Para Eckert, mesmo que o etanol não se torne uma commoditie mundial, o projeto da nova colhedora terá respaldo. “O Brasil não vai reduzir um hectare de cana que pretende plantar, porque terá que abastecer o mercado interno. Além disso, a futura reposição da frota atual já viabiliza o projeto”. Com os lançamentos das duas empresas, a AGCO quer conquistar nos próximos anos, 25% de um mercado que cresce ininterruptamente há cinco anos. A venda de máquinas para cana pulou de 36 unidades em 2003 para 645 colhedoras no ano passado. Para 2008, as previsões continuam otimistas. Segundo estimativas do Instituto de Desenvolvimento Agroindustrial (Idea), de Ribeirão Preto, o ano terminará com aproximadamente 1.035 máquinas vendidas. De acordo com dados da entidade, a frota atual, que este ano ultrapassará 2.260 unidades, vai se aproximar de 5.600 colhedoras em 2011.
As razões do aumento
A demanda por colhedoras é um reflexo evidente do aumento da mecanização do corte da cana no Brasil, sobretudo em São Paulo, que já usou máquinas para colher 40,7% das 327,7 milhões de toneladas produzidas no ano passado. No Brasil, o índice total, incluindo áreas não mecanizáveis, atinge 34,7%, o que passará para 57,4% em 2011. Segundo o estudo do Idea, 72,6% de toda a área com canaviais no País serão colhidos mecanicamente ao final de 2015. Gerente de motomecanização do Grupo São João, Humberto Carrara, avalia que o avanço da mecanização se deve à união de três fatores: expansão da cultura da cana no Brasil, exigências ambientais pela eliminação da queimada e ausência de mão-de-obra para colheita. A falta de mão-de-obra é mais acentuada nas novas fronteiras de cana, como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul. Por este motivo, a recém-inaugurada Usina Serra do Caiapó, de Montividiu (GO), prevê mecanizar integralmente a colheita até 2011 – na safra inaugural, as máquinas estão cortando 50% das 500 mil toneladas previstas.
Corte inevitável
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Como cada máquina faz o trabalho de 80 a 100 homens (cada um colhendo entre 8 e 12 t/dia), o avanço da mecanização deve extinguir o trabalho dos cortadores de cana em áreas mecanizáveis até 2015, prevê um recém divulgado estudo do professor de economia agrícola Pedro Ramos, do Instituto de Economia da Unicamp. O levantamento se baseou em quatro aspectos: número atual de colhedoras, perspectivas do mercado, desempenho das máquinas e previsões de aumento de produção de cana. O estudo estimou que em 2015 São Paulo terá uma safra de 340 milhões de toneladas, com um índice de mecanização de 80%. Com isso, 272 milhões de toneladas de cana serão colhidas por 2.266 colhedoras. As demais 68 milhões de toneladas seriam cortadas por 47.000 trabalhadores, supondo 8 toneladas/homem/dia, em seis meses de safra.
Os mesmos parâmetros e raciocínio foram adotados para o caso das regiões Centro/Sul e Norte/Nordeste, que teriam no período vagas para 89.000 e 46.000 cortadores de cana respectivamente. Pelo estudo, apenas no Centro/Sul cerca de 300 mil empregos seriam extintos – mais de 65% deles em São Paulo. “Mas é sempre bom lembrar que se trata de estimativas”, pondera Ramos. O pesquisador concluiu que fica “explicitada a necessidade de buscar alternativas de ocupação ou trabalho para os profissionais que serão desalojados”. O estudo revela que o avanço da mecanização da colheita de cana deverá ter maiores impactos na ocupação de pessoas que migram do Nordeste para o Centro/Sul durante a safra – com isso, os Estados de origem destes trabalhadores terão que criar vagas para eles.
Alternativas
Para Carrara, não se trata de dar “destino” ao trabalhador, pois se ele continuar “cortador” vai continuar “cortando cana”, pois a colheita manual não será completamente eliminada – continuará sendo executada nas áreas não mecanizáveis. Segundo ele, como o mercado demanda de a mão-de-obra mais qualificada para operação das máquinas colhedoras, o cortador de cana precisa se profissionalizar. “Portanto, não vejo conflito de desemprego ou deslocamento. O desafio é a capacitação desta mão-de-obra. Fabricantes, clientes e governo têm que trabalhar juntos se quisermos alcançar êxito”.
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Algumas iniciativas já surgem para atender esse anseio. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, revelou recentemente que o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Soares Dulci, está negociando com os empresários um contrato de trabalho para melhorar a situação dos cortadores de cana-de-açúcar. “Estamos tratando de fazer um acordo, porque precisamos cuidar de formar esse trabalhador para que ele tenha possibilidade de, com uma boa formação profissional, consiga emprego em outro lugar”, disse no programa de rádio “Café com Presidente”. A indústria também inicia projetos de qualificação profissional. Líder no mercado de colhedoras de cana, a Case IH lançou um projeto, que vai ministrar cursos de operação de máquinas da marca para mais de três mil pessoas por ano. “O objetivo do novo projeto é aumentar o atendimento ao setor sucroalcooleiro, qualificando a mão-de-obra, oferecendo novas oportunidades de trabalho e renda para trabalhadores do setor”, explica o gerente de Marketing da Case IH, Fábio Borgonhone.
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Brazil Overview
The use of Mechanization
The increase of mechanization may eliminate jobs involving the manual cutting of the cane until 2015; the government and private companies are looking for alternatives to qualify those workers to take over other jobs
Until 2010, the Brazilian market for Sugarcane Harvesters, currently dominated by three companies, will have two other players. Both from the AGCO Group, Valtra and Massey Fergusson recently announced millionaire investments in the development of new machinery. Traditional tractor manufacturer, Valtra, which has just launched their Grain Harvesters Line, announced the Sugarcane Equipment project last year – the model will be sold in 2009. Massey Fergusson took the market by surprise by announcing their Sugarcane Harvester project. According to their Commercial Director, Carlito Eckert, the model will be different from Valtra’s. “It’s in the initial stage but will have its own characteristics. We will start the tests in 2009”.
For Eckert, even if ethanol doesn’t become a worldwide commodity, the project of the new Harvester will be supported. “Brazil won’t reduce one single cane hectare of the expansion plan, because the domestic market needs to be supplied. Besides, the future fleet renovation already turns the project feasible”. With the two companies’ launches, AGCO wants to get a 25% market share in a segment which has been steadily growing for 5 years.
The Sugarcane Equipment sales skyrocketed from 36 units in 2003 to 645 harvesters last year. For 2008, the estimations are very optimistic. According to IDEA (Institute of Agro-industrial Development), the year will end with approximately 1.035 units sold. The entity estimates that the fleet will count with more than 2.260 units this year and will reach 5.600 Harvesters in 2011.
Reasons for the increase
The high demand for the Equipments is an evident result of the mechanization in Brazil, moreover in São Paulo, where 40.7% of the 327.7 million tons produced last year were harvested mechanically. In Brazil, mechanization level is already at a 34.7% including those areas which cannot be harvested mechanically, and will be 57.4% in 2011.
According to IDEA’s study, 72.6% of all the sugarcane area in the country will be mechanically harvested at the end of 2015. The Mechanization Manager of São João Group, Humberto Carrara, analyses that the increase of the mechanization is due to three factors: the cane expansion in Brazil, environmental concerns involving the burning and the lack of manual labor for the harvest.
The lack of labor force is higher in the new frontiers of the cane such as Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul. For this reason, the recently inaugurated mill Serra do Caiapó, in Montividiu (GO) estimates full mechanization until 2011 – in the first crop, machines are already cutting 50% of the estimated 500 thousand tons.
Inevitable Cut
As each machine does the work of 80 to 100 people (each one harvesting 8 to 12 tons a day), the mechanization increase should eliminate the cane cutters jobs in those areas until 2015, estimates a recent study performed by Pedro Ramos, a Professor of Agricultural Economics at the UNICAMP’s Institute of Economy.
The study was based on four aspects: the current number of Harvesters, market perspectives, machinery performance and the estimations of cane production increase. The estimations are that in 2015 São Paulo will harvest 340 million tons, 80% mechanized. Considering this number, 272 million tons would be harvested by 2.266 equipments. The other 68 million tons would be cut by 47 thousand workers, at 8 ton/man/day in a six-month season.
The same parameters were adopted for the Center/South and North/Northeast Regions which hold vacancies for 89.000 and 46.000 cane cutters respectively. The Study says that only in the Center/South 300.000 jobs would be eliminated – more than 65% in São Paulo. ‘It is always wise to remember that these are only estimations” alerts Ramos. The researcher concludes that “we need to look for alternatives to employ those workers who will lose their jobs”. The study reveals that the increase of mechanization will have a major impact in the workers moving from the North/Northeast to the Center/South during the season – and their home States will have to create alternatives for them.
Alternatives
For Carrara, it’s not just about relocating those workers, because if they remain “cutters” they will continue to “cut cane” the manual cutting will not as be 100% eliminated as there are areas which cannot be harvested mechanically. According to him, as the market demands a more qualified labor force for the equipment operation, the current “cane cutter” needs to be qualified. “Therefore, I don’t see a conflict with unemployment or relocating. The real challenge is to train that labor force. Manufacturers, customers and the government have to work together if we want to be successful”
Some initiatives are already in place in order to meet these requirements. The President Luiz Inacio Lula da Silva, recently disclosed that the Chief Minister of the Presidency, Luiz Soares Dulci is negotiating with the businessmen a work contract to improve the sugarcane cutters working conditions. “We are negotiating a contract as we need to qualify these workers in order to provide them an alternative job somewhere else” he said in the radio broadcast “Coffee with the President”
The industry also started projects of professional qualification. A Market leader in the sugarcane harvesting equipments, CASEIH launched a project which will provide Machinery Operation Courses for more than 3 thousand people a year. “Our goal is to increase the supply to the sugarcane sector, qualifying the labor force and offering new job opportunities for the workers” explains the Case’s Marketing Manager, Fábio Borgonhone.
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