A padronização da commodity

Além da garantia de oferta regular, especificação técnica será pré-requisito para etanol brasileiro conquistar mercados externos

Possibilidades futuras de exportação

Paralelamente às discussões sobre padronização, o Brasil deve observar aumento de exportações de etanol em 2008. Beneficiado pela quebra da safra de milho dos Estados Unidos, o setor sucroalcooleiro nacional prevê embarcar até o final do ano pelo menos 5 bilhões de litros ante os 3,1 bilhões de litros exportados no ano passado. Prejudicada por plantio 10% inferior e perda de lavouras por inundações, a próxima colheita de milho nos Estados Unidos deve registrar quebra entre 10% e 20% sobre as 355,6 milhões de toneladas do ano passado – por isso, o país deve importar álcool para uso doméstico. Segundo o diretor-executivo da Unica, Eduardo Leão de Sousa, a quebra da safra do milho norte-americano proporcionou uma oportunidade de curto prazo muito interessante, mas não garante mercados futuros para o etanol brasileiro nos Estados Unidos. Para Sousa, porém, o mais importante é uma sinalização clara de longo prazo. “Estamos muito preocupados porque, tanto no mercado interno como no externo, é preciso que o Brasil defina horizontes de atuação para direcionar produções futuras”, explica.

Os Estados Unidos definiram que até 2022 vão usar 140 bilhões de litros por safra – mas no máximo 50 bilhões de litros serão de milho. O restante será de segunda geração ou outros etanóis, inclusive de cana. “O mercado é extraordinariamente grande. É importante que ele exista para nós. Não dá para o Brasil conceber um plano global de etanol sem ter esse mercado”, afirma Sousa. Mas, para usufruir desse mercado, o Brasil precisa lutar contra a barreira tarifária de US$ 0,54 por galão (3785 litros).

Recentemente prorrogada pelo congresso americano, a tarifa foi mantida após o fracasso das negociações da Rodada de Doha, no final de julho, em Genebra. A esperança brasileira agora é a possibilidade de alguma mudança após as eleições presidenciais. Para alguns analistas, a princípio, a vitória do candidato republicano John McCain seria mais interessante para o setor sucroalcooleiro – ele já expressou a intenção de extinguir a tarifa. “Se o democrata Barack Obama ganhar, espera-se que ele tenha uma visão mais pró-protecionismo”, acredita Sousa.

Europa

O Brasil também anseia pelas definições de uso do etanol no mercado europeu para poder elaborar suas estratégias comerciais. A União Européia estuda a possibilidade de adicionar 10% de álcool anidro a toda gasolina usada no continente a partir de 2020. “Nossa prioridade número 1 é fazer com que essa diretiva seja aprovada pelo parlamento europeu. Isso sinaliza um mercado grande, com demanda de longo prazo. Vamos saber que quantidades vão precisar e com qual velocidade”, afirma Sousa. A Unica também acredita que a decisão da UE possa influenciar outros mercados, principalmente o asiático. Para abrir o ambiente europeu, o Brasil trabalha para desmistificar alguns aspectos sobre o etanol, como, por exemplo, as questões de alimento x combustível.

Segundo Sousa, a UE criará muitos critérios focados na questão sócio-ambiental para limitar acesso aos seus mercados. “Queremos que os critérios sejam balanceados: que estejam discutindo aspectos sociais e ambientais e econômicos também. E que todos os setores da cadeia produtiva sejam representados nas discussões para evitar desequilíbrio de forças”. Outro desafio brasileiro é negociar a redução da tarifa imposta pela União Européia ao etanol, que atualmente é de até 55%, dependendo do preço do produto. Os europeus também definem cotas para a entrada do produto em seu mercado. O Brasil tentou rever esses parâmetros na Rodada de Doha, mas nada foi acordado. Com o fracasso das negociações em Genebra, a Unica anunciou que vai perseguir outras alternativas que permitam enfrentar os subsídios. A entidade estuda solicitar ao governo brasileiro que o Itamaraty requisite consulta na OMC (Organização Mundial do Comércio). Outra opção analisada é a abertura de painel (contencioso) contra EUA e União Européia.



 
 
 
 
 
 
 

Brazil Overview

The Commodity Standard
Besides the regular offer, the technical specifications will be a requirement for the Brazilian ethanol to conquer the external markets.

Future Export possibilities

Simultaneously to the standard discussion, Brazil must observe the increase of the ethanol exports in 2008. Benefitted by the corn harvest break in the US, the sugarcane sector estimates to ship at least 5 billion liters until the end of the year, against 3.1 billion liters exported last year. With a 10% drop in the plantation and harvest loss by floods, the next corn harvesting in the US should register a break between 10% and 20% over the 355,6 million tons of last year – therefore, the country should have to import ethanol for domestic use.

According to the UNICA’s Executive-Director, Eduardo Leão de Sousa, the break of the American corn harvest provided a very interesting short-term opportunity, but does not guarantee future markets for the Brazilian ethanol in the US. For Sousa, however, the most important is a clear signalization of long-term. “We are concerned because both in the domestic market and the external markets, Brazil needs to define its line of action in order to direct our future production”, explains.

The US has defined that until 2022 they will use 140 billion liters per season – but maximum 50 billion will be corn-based ethanol. The balance will be second generation and other ethanol, including sugarcane-based. “The market is extraordinarily large and it’s important for us. It’s not feasible for Brazil to conceive an ethanol global plan without that market” says Sousa. But, to profit form that market, Brazil needs to fight against the imposed tariff of US$ 0,54 per gallon.
Recently postponed by the American Congress, the tariff was maintained after Doha’s failure, at the end of July in Geneva. The Brazilian hope now is the possibility after the presidential elections. For some analysts, in principle, John McCains’ victory would be more interesting for the sugarcane sector – he has already expressed his will to eliminate the tariff.
“If the democrat Barack Obama wins, we expect a pro-protectionism view”, believes Sousa.

Europe

Brazil also expects the definitions of the ethanol use in the European market in order to set the commercial strategies. The EU studies the possibility to add 10% of anhydrous ethanol to all their gasoline from 2020. ‘Our top priority is to make sure that this directive to be approved in the European parliament. This signalized a great market, with a long-term demand. We want to know the quantities and at what pace”, affirms Sousa.

UNICA also believes that the EU decision may influence other markets, especially the Asian markets. In order to open the European environment, Brazil works to demystify some aspects about ethanol, such as the food x fuel issues.

According to Sousa, the EU will create many criteria focused in social-environmental issues in order to limit the access to their markets. “We want the criteria to be balanced: they should be discussing social, environmental and economical aspects as well. And we wish all the sectors of the productive chain to be represented in the debate in order to avoid the unbalance in the forces”. Another Brazilian challenge is to negotiate the reduction of the tariff imposed by the EU currently at 55%, depending on the product price.

The Europeans also define quotas for the product in their markets. Brazil has tried to change those parameters at Doha, but nothing got agreed. With the failure of the Geneva negotiations, UNICA has announced their will to look for alternatives which will allow Itamaraty to request a consultation in the WTO. Another option analyzed is the opening of a panel against the US and the EU.